Há uns dias atrás quando visitei o blog do
Alquimista ouvi uma música que faz parte de um filme que adoro e decidi partilhar convosco. Não é propriamente o filme da minha vida (tenho mais que um) mas sem dúvida faz parte da lista, pela sua beleza e encantamento que proporciona.
A música que estão a ouvir faz parte da banda sonora.

O filme, falado em italiano, chama-se
Cinema Paradiso já tem alguns aninhos (1988) mas é para mim um filme intemporal.
Deixo-vos uma uma pequena descrição:
"Giuseppe Tornatore realizou o sonho de um grande número de cineastas ao produzir com seu "Cinema Paradiso" uma verdadeira declaração de amor, um filme que sacramenta a paixão que os cineastas sentem por seu objecto de trabalho, pela essência de seu quotidiano, por aquilo que nos permite viver e fantasiar emoções ao redor do mundo todo, o Cinema."

O início do filme mostra Totó adulto, recebendo notícias de sua cidade natal e tendo que voltar para lá. Há muito tempo que saíra de lá e comunicava-se pouco com sua mãe ou com outras pessoas que ali permaneceram. Parecia querer esquecer-se do que havia vivido (talvez em decorrência de uma outra paixão que ali tivera, nesse caso, mal resolvida). No entanto, algo o levou a voltar. E com a volta, vieram as lembranças; com toda a nostalgia que o ambiente lhe proporcionou, conta-se essa verdadeira fábula contemporânea. Vemos então o menino Totó (Salvatore), numa Itália abalada pela guerra, o seu pai foi enviado para os campos de batalha e não voltou, vive apenas sob a tutela da mãe. Salvatore tem uma grande paixão, arrisca-se diversas vezes para que esse amor seja vivido com intensidade, utilizando o dinheiro que a mãe lhe deu para comprar mantimentos, para ir ao cinema, é um amante da sétima arte.

Nessas idas e vindas ao Cine Paradiso, Totó acaba, por vias tortas, tornando-se amigo do projecionista Alfredo e sacia seu desejo de poder assistir aos filmes da cabine de projeção. A cidade onde vive é uma pequena comunidade rural, onde há poucas possibilidades de lazer. Como região do interior, de país de tradições religiosas vincadas, o padre acaba tendo grande peso entre as pessoas que ali vivem, até interferindo no cinema, censurando cenas que apresentem beijos ou que denotem minimamente a noção de sexualidade. As cenas cortadas em virtude do conservadorismo do padre tornam-se então brinquedos festejados nas mãos de Totó.
Alfredo por sua vez, além de artífice dos sonhos como projecionista do cinema, torna-se também, em razão do convívio e da grande proximidade, um segundo pai para o menino e procura orientá-lo, ensinando-lhe os procedimentos do trabalho que exerce. Há situações que fazem com que eles se tornem ainda mais próximos, como quando Totó ajuda Alfredo a aprender a ler e escrever ou ainda, quando o Paradiso pega fogo. O incêndio fere Alfredo e este fica cego, Totó torna-se o novo projecionista do cinema local. Consuma-se com maior voracidade o envolvimento do agora jovem Salvatore com os filmes.

O passar do tempo e o advento da maioridade fazem com que seja necessário um rompimento. O que poderia parecer o fim de um sonho, acaba concretizando um casamento definitivo entre o menino/adolescente/jovem Totó com o cinema. Ele torna-se um realizador, um cineasta. De admirador das imagens em preto e branco que povoaram sua meninice e sua adolescência, de colecionador de fotogramas censurados pelo padre, de projecionista do Paradiso em sua cidade de origem, Salvatore acabou se tornando um produtor de sonhos. Suas imagens passam a partir de então a encantar milhares de pessoas em seu próprio país e fora dele.
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